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Saúde auditiva: a prevenção começa na sala de aula

As articulações e tendões não são as únicas estruturas do corpo que sofrem com a rotina intensa de trabalho e estudos de um músico. A exposição prolongada a níveis elevados de decibéis pode levar a perdas auditivas graves e, muitas vezes, irreversíveis que podem comprometer a continuidade da carreira musical. Atentas à importância da prevenção desse problema de saúde, várias instituições de ensino têm abordado este tema durante as aulas e adotado medidas práticas para minimizar efeitos prejudiciais no dia a dia dos estudantes.

No curso de Produção Musical da Universidade Anhembi Morumbi (UAM), por exemplo, a disciplina de Tecnologia de Áudio tem pelo menos quatro horas de explicações detalhadas sobre o sistema auditivo, onde são oferecidas informações sobre fisiologia do ouvido humano, questões sobre percepção auditiva e psicoacústica. As informações são do professor José Henrique Pena, que ministra aulas nos cursos de Produção Musical e Design de Games.

“Forneço bases para que os alunos se protejam de lesões ocasionadas pelo abuso da escuta sonora em níveis muito altos. Procuramos fazê-los conhecer as normas de acústica ambiental homologadas através dos limites de tolerância para ruído de acordo a Norma Regulamentadora nº 15 (NR 15) do Ministério do Trabalho”, diz.

A professora Marli Batista Ávila, que atua no Conservatório Musical Brooklin Paulista (SP) e também na UAM, conta que os alunos são orientados a utilizar protetores auriculares e a realizar exames periódicos de audiometria, entre outras ações preventivas. “No entanto sabemos que na prática eles não costumam seguir as orientações, pois preferem provocar sensações mais excitantes com intensidades sonoras altas”.

De acordo com ela, os efeitos negativos dessa falta de disciplina já podem ser observados na saúde dos estudantes. “Recentemente todos os alunos do curso de Produção Musical, que têm idade média de 18 a 25 anos, foram submetidos a testes audiométricos e 70% deles apresentaram alguma perda auditiva”, diz.

Pena também recorda do caso de um aluno que sofria de zumbidos constantes e estalidos, e foi aconselhado a procurar imediatamente um otorrinolaringologista. “Mas acredito que toda essa geração padeça de maus hábitos de escuta. Certamente deverão sofrer no futuro as consequências da escuta constante em níveis de intensidade muito altos”, comenta.

Tipo de instrumento não interfere

A fonoaudióloga Paula Fioranelli destaca que os músicos apresentam grande risco de desenvolvimento de deficiências auditivas, pois estão expostos a sons fortes cuja fonte está muito próxima dos ouvidos e que isso independe do instrumento utilizado pelo aluno.

“O nível de pressão sonora (medido em decibéis) elevado, a intensidade e a duração dos sons podem causar uma perda auditiva induzida pelo ruído (PAIR). Portanto, independente do instrumento utilizado, se a exposição ao som for frequente e em intensidade elevada, poderá ocasionar um dano irreversível ao aparelho auditivo”.

Ao mesmo tempo, a direção do som do próprio instrumento é um dos principais fatores para o aumento do nível de pressão sonora individual. "Por exemplo, os violinistas têm maior exposição sonora à esquerda, enquanto os músicos que tocam flauta transversal têm maior exposição à direita”, diz a especialista.

A perda auditiva causada pela música (PAIM) pode vir acompanhada ou precedida de outras desordens, como zumbido, dor de cabeça, tontura, hipo ou hipersensibilidade à sensação de intensidade dos sons, entre outras. Entre as medidas preventivas básicas recomendas por Flávia para evitar estes distúrbios estão aulas de conscientização sobre riscos auditivos, avaliações auditivas frequentes, uso de protetores auriculares e orientações sobre o ambiente de ensaio e apresentação.

“Tomando como base a escola alemã, que já insere o tema Proteção Auditiva no currículo da matéria de Medicina Musical- matéria já oferecida na grande maioria das escolas de música da Alemanha- seria de grande valia que o assunto fizesse parte da formação dos nossos músicos, tanto para prevenir o aparecimento de perda auditiva quanto para manter uma boa qualidade de vida para os profissionais”, completa.

por Vanessa Coelho

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Edição 40

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