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MATÉRIA DE CAPA NO TOM 47

Recebemos o comentário abaixo de nosso colega Enio Giannini, da Imagine (SP). E publicamos aqui, na íntegra, o texto em que EXPRESSA SUA OPINIÃO sobre a matéria de capa da NO TOM 47:

"A ÉTICA DOS DIRETORES SOB A VISÃO DOS PROFESSORES"

Prezada Valéria
 
Há muitos anos que me preocupo com o tumultuado relacionamento entre Diretores e Professores nas escolas de música.
Depois de muitos encontros, promovidos pelo CAEM, entre os Diretores ficou claro, para mim, que a pedra no sapato dos dirigentes era o comportamento dos Professores, sendo as principais reclamações as faltas e atrasos.
Entretanto, sempre percebi que havia também, entre Diretores, atitudes inconvenientes com relação ao Corpo Docente.
Solicitei à nossa colega Geni Leika uma oportunidade para falar sobre a Falta de Ética no seminário de julho de 2014 para os Diretores das Escolas Autorizadas TKT.
Coincidentemente isto ocorreu na época no lançamento da Revista No Tom nº 44, quando a matéria da capa foi "Procura-se Ética".
Na minha palestra abordei outros problemas na música, como o mau relacionamento entre Músicos e Empresários. Músicos reclamam que são contratados mas não recebem. Empresários reclamam que contratam e ninguém aparece.
No workshop falei não só dos famosos Atrasos e Faltas dos Professores como também de algumas atitudes de Diretores que não respeitam seus funcionários e não cumprem os acordos trabalhistas.
Ao receber a Revista No Tom nº 47 notei que a matéria da capa era Liderança em Cheque, cujo objetivo era mostrar A Ética dos Diretores, ou a falta dela, sob a visão dos professores, registrada no sub-título da capa.
Ficou confirmado para mim, o triste relacionamento que existe entre Corpo Docente e Diretoria das escolas de música.
Algumas citações na matéria são oportunas e condenáveis. É inadmissível a falta de pontualidade no pagamento dos Professores e a falta de respeito como a citada na página 18 pela Sra. Viviane Louro que menciona absurdas Agressões Verbais sofridas.
É compreensível a revolta de alguns profissionais do ensino musical, porém houve alguns exageros cujas reclamações, na minha maneira de entender, não procedem.
Na pág. 16 é mencionado que "entre as falhas apontadas pelos profissionais está a má qualidade de ensino de cursos livres (grifamos) que priorizam o que o aluno deseja aprender em detrimento de uma formação musical mais sólida". Ora, conforme a própria definição, trata-se de cursos sem a exigência de nenhum padrão específico. Por que então o aluno não tem o direito de aprender o que ele quer? Num Conservatório ou em uma Faculdade é preciso se seguir uma grade horária e um conteúdo estabelecido. Nas escolas de Cursos Livres não!
É nestas escolas que se atendem pessoas que querem se divertir, as crianças que se iniciam na arte, os idosos que fazem terapia ocupacional e até os deficientes intelectuais que fazem um trabalho de integração social. Vamos ter que ensinar para eles contraponto, síncope, modos gregos, etc.?
Em um dos Encontros de Escolas de Música promovido pelo CAEM, há muitos anos, no Multimídia Trade Center um neurologista demonstrou o aumento do volume do cérebro em pessoas que passaram a estudar música, trazendo incríveis benefícios à capacidade de raciocínio. Nossa colega Daise Aguiar Silva apresentou maravilhosos trabalhos em pessoas tratadas na AACD. Recentemente, em outro encontro, o nosso colega Paul Lafontaine, do Alma de Batera, mostrou seu fantástico trabalho com portadores de Síndrome de Down.
Será que vamos interromper este tipo de atendimento?
Para fazer uma analogia, eu me matriculei numa academia para fazer natação. Eu queria me refrescar e fazer um pouco de exercícios. Mas o professor queria que eu aprendesse todos os estilos e fizesse a "virada olímpica" todas as vezes que eu chegasse na borda da piscina. Fui embora da escola! Ora, onde estava o meu direito de fazer a que eu quero? Na música é a mesma coisa! Por que tirar o direito de entrar no Maravilhoso Mundo da Música apenas para se divertir?
Um dia eu estava entrevistando um candidato a professor de bateria e ele me disse o seguinte. O espírito de quem entra num Curso Livre é o mesmo de quem entra numa Escolinha de Futebol. Ele quer jogar bola. Se vc mandar ele ficar driblando cones ele vai embora!
O texto na revista diz ainda que "as escolas particulares estão se preocupando mais com o número de alunos do que com o conteúdo e com a qualidade dos professores".
A afirmação é outro equívoco. Ora, conforme foi dito, as escolas são "particulares", ou seja, não possuem subsídios do governo. Pagam aluguéis, impostos, tem custos administrativos e uma alta fôlha de pagamentos. É estranho a afirmação vir de professores que não trabalham por menos do que 40% do faturamento bruto das escolas!
Na pág. 17 existe uma outra afirmação equivocada atribuída ao professor de bateria Thiago Kouzmin que reproduzo a seguir. "Pra mim não existe atitude mais antiética do que pagar o mesmo valor hora/aula pra quem cursou faculdade e pra quem é contratado porque é amigo do diretor e não tem qualquer formação na área e não ensina nada. No fim, quem sai perdendo são os alunos".
Se a referida escola for pública e o cargo foi uma nomeação, aí sim está errado, pois seria uma espécie de Nepotismo. Se a escola é particular e o diretor for o próprio dono, ele contrata quem ele quiser. Na minha escola trabalha minha mulher e já trabalharam minhas filhas. Ora, eu vou ter que dar satisfações para os funcionários de quem eu acho que deve trabalhar comigo?
Por outro lado, ser formado não significa ser bom profissional. Todo empresário valoriza quem dá lucros, resultados, independentemente de uma fôlha de papel que está numa gaveta ou num quadro na parede. Se isto fosse verdade, um Professor de Faculdade de Educação Física com especialização em Futebol deveria ganhar mais do que o Neymar que tem, no máximo, o curso colegial.
Fora do texto acima ainda é dito a necessidade de "Plano de Carreira"!?
Gente, vou repetir, acho que reclamar de atraso de pagamento e desrespeito é válido.
Agora, não vamos começar a procurar motivos incabíveis.
Se os professores são qualificados, precisam ter noção não só de música como também de política e de economia.
É preciso que percebam que não trabalham na Rede Bancária, formada por instituições que obtém bilhões de reais de lucro em apenas um trimestre. Também não trabalham em montadores de veículos que obtém resultados semelhantes!!
Como fazer Plano de Carreira em Escolas de Curso Livre?
Qual o faturamento médio de uma escola de música?
A maioria dos diretores menciona cerca de 150 alunos e mensalidades em torno de R$ 200,00.
Faturamento de R$ 30.000,00 em média!?
Gente, perdoem-me a comparação, mas seria como fazer um Plano de Carreira para um borracheiro!
O que responderia o dono da Borracharia?
Não sei se a minha escola representa o nosso mercado, mas afirmo que aqui a folha de pagamento dos professores custa 40% do Faturamento Bruto. O custo da estrutura da escola é de cerca de 40% do Faturamento também.
A sociedade fica com 20% do Lucro Bruto, pois ainda incidem alguns impostos.
Se o Plano de Carreira que alguns pretendem for no sentido de aumentar a "comissão" isto é totalmente inviável. Minha empresa, como qualquer outra do setor privado, tem fins lucrativos. Afinal de conta que vai sustentar minha família?
Agora, se Plano de Carreira for apenas mudar o "rótulo do crachá", o assunto nem deveria ter sido abordado na revista.
Concluo dizendo o seguinte, enquanto houver esta rixa entre Diretores e Professores, ao invés de serem bons colegas e trabalharem em harmonia, o nosso ramo vai continuar sendo frágil e desvalorizado.
 
Atenciosamente,
 
Enio Giannini

por Enio Giannini

engenheiro, diretor da Imagine, músico

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