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Musicoterapia para Idosos

O som e a música acompanham o homem desde seu nascimento, e estão inseridos em todas as culturas desde a pré-história. Atualmente, sabemos que a música é uma atividade neuropsicológica complexa, pois exige do ser humano operações mentais multimodais, como tocar um instrumento musical, ler uma partitura musical, apreciar e reconhecer melodias (Correia, 1998). A aplicabilidade dos recursos sonoros e musicais, tanto para fins diagnósticos como terapêuticos, é feita pela Musicoterapia que tem como objetivo o estudo da relação do som/música com o ser humano, do ponto de vista fenomenológico, neuropsicológico, cognitivo e psicodinâmico (Correia, 1998).

Envelhecer é um processo natural no ser humano, porém, os idosos apresentam mais problemas de saúde do que a população geral; mas apesar das dificuldades procuramos envelhecer com qualidade, ou seja, o “envelhecimento bem sucedido” (Garrido e Menezes, 2002). Esse envelhecimento bem sucedido é o resultado da capacidade que a pessoa tem de estar bem, mesmo diante de todas as dificuldades que surgem: como perdas, doenças, problemas familiares, etc. “Envelhecimento saudável, dentro dessa nova ótica, passa a ser a resultante da interação multidimensional entre saúde física, saúde mental, independência na vida diária, integração social, suporte familiar e independência econômica”, independente de estar ou não doente (Ramos, 2003).

A Musicoterapia assume especial relevância na reabilitação e tratamento do idoso ao estabelecer um canal de comunicação não verbal por meio do som e da música, contribuindo com diagnóstico clínico, e é ferramenta valiosa de intervenção terapêutica nos casos de distúrbios emocionais, cognitivos e físicos. Alguns estudos científicos vêm sendo realizados e destacamos dois: o de Hanser (1996) e Kumar (1999) que apresentam resultados importantes para a Musicoterapia. Hanser realizou um estudo quantitativo e concluiu que a musicoterapia aplicada a pacientes com depressão aliviava o estresse e a ansiedade, e melhorou os sintomas depressivos. Kumar et al, observaram mudanças na função neuroendócrina após a intervenção musicoterapêutica em pacientes com Alzheimer, verificou-se o aumento dos níveis de melatonina, demonstrando que os pacientes ficaram mais participativos e integrados socialmente. O tratamento musicoterapêutico mostrou-se promissor na melhora dos sintomas depressivos, ativando o sistema neurotransmissor hormonal.

A musicoterapia com idosos pode ser individual ou em grupo, e tem como objetivo principal avaliar os aspectos cognitivos e emocionais do paciente e assim, compreender e intervir sobre dificuldades apresentadas. Estimular a interação social, a atenção e concentração, a criatividade, motivação para realizar outras atividades terapêuticas, dentre outros. Para sabermos se o idoso deve participar de um atendimento individual ou grupal é realizada uma avaliação (ficha musicoterapêutica e testificação – Benenzon, 2000), com a finalidade de conhecer sua história sonora e os aspectos psicológicos e cognitivos individuais relacionados com o som e a música.

A participação do paciente em musicoterapia contribui para sua adaptação a novas situações, ajuda-o a resgatar ou aprender habilidades e reforça sua resistência. A música motiva o paciente a realizar atividades físicas e ajuda-o a expressar suas angústias (Bright 1991). Portanto, o idoso que necessita de reabilitação, tratamento ou acompanhamento terapêutico para superar barreiras físicas, psíquicas e/ou mentais (cognitivas), pode ter na musicoterapia uma forma de buscar o “envelhecimento bem sucedido”.

Bibliografia:
Benenzon, R.O. Musicoterapia – De la teoria a la práctica. Ediciones Paidós Ibérica, S. A., Barcelona, 2000.
Bright R. - La musicoterapia en el tratamiento geriátrico. Argentina, Editorial Bonum 1991.
Correia CMF, Muszkat M, Vicenzo NS e Campos CJR. - Lateralização das funções musicais na Epilepsia Parcial. Arq. Neuro-psiquiatr 1998; Vol 56 n.4.
Garrido, R. e Menezes, R.M. - O Brasil está envelhecendo: boas e más noticias por uma perspectiva epidemiológica. Rev. Bras. Psiquiatr. vol.24 supl.1 São Paulo abr. 2002.
Hanser S. - Music Therapy with Depressed Older Adults. In Music Medicine, MMB Music, Inc. Printed USA, 1996. P. 222-231.
Kumar AM, - Tims F, Cruess DG, Mintzer Mj, Ironson G, Loewenstein D, et al. Music therapy increases serum melatonin levels in patients with Alzheimer’s Disease. Alternative Therapies 1999 vol 5 Nº 6 november: 49-57.
Ramos, L.R. - Fatores determinantes do envelhecimento saudável em idosos residentes em centro urbano: Projeto Epidoso, São Paulo. Cad. Saúde Pública v.19 n.3 Rio de Janeiro jun. 2003.

por Mt. Sandra de Moura Campos

Musicoterapeuta clínica formada em 1990, com ênfase em Geriatria e Gerontologia. Coordenadora do projeto de implantação do setor de Musicoterapia no Lar Escola São Francisco (Lesf/Unifesp), professora e coordenadora do curso superior de Musicoterapia da Faculdade Paulista de Artes (São Paulo) de 2004 a 2008.

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Edição 40

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